Ué, quarto gera lixo? Parte 3

7:30 am – Qual cor eu uso hoje?
8 am – tantas opções…
8:30 am – tic tac tica tac

 

Ritual matinal:

O despertador toca, mas ainda estou num sono profundo, relaxada e ignoro aquele barulho  irritante. Então vem a vontade de ir ao banheiro e eu penso “Que saco, tenho que levantar!”. Continuo na cama “Só mais 5 min, por favor!”. O despertador extrategicamente posicionado perto da porta e bem longe de mim continua tocando e eu… continuo ignorando. A minha bexiga aperta e uma imagem da minha cama toda suja de xixi me estimula a realmente sair da horizontal para a vertical. Desligo o despertador, caminho lentamente (tipo zumbi) até o banheiro e relaxo ao som de xiiiiiiiiiiii. Eu não quero lavar a mão, pois sei que há um espelho acima da pia e não quero me ver. Sinto meu rosto inchado, sei que não está legal… mas a ideia de não lavar a mão me faz lembrar minha mãe me perguntando “Lavou a mão, filha?”. Eu abro os olhos “Meu Deus! Horror!”. Preciso me arrumar e sair “Horror, horror”… escolho uma roupa “Menos horror”, hidrato a pele e passo blush, rímel e delineador “Tô gata!”.

A maquiagem realmente me faz sentir mais bonita. O que me incomoda é o fato de eu me sentir melhor de maquiagem do que sem. Me incomoda uma mão sem esmalte ser considerada menos bonita do que uma com esmalte e mega me incomoda muito eu ser considerada menos feminina ou como alguém que não se cuida, por não fazer uso de cosméticos.  Falando sério, qual homem é enfaticamente criticado por “não se cuidar”? Ele pode ter o cabelo que quiser, vestir o que quiser e vida que segue. Sem discurso feminista aqui, fiquem calmos (parece que hoje em dia, qualquer reivindicação feminina não é levada a sério e é considerada mimimi).  É só que a pressão da indústria da beleza sobre a mulher é massacrante. Olhem esse vídeo – The ugly truth behind beauty magazines link como um dos simples exemplos. O vídeo fala sobre o real conteúdo de uma revista feminina x quantidade de propaganda. Ou seja, ao invés de passar conteúdo, a leitora é bombardeada com imagens de roupas, maquiagens, pele/cabelo perfeitos. Quem aqui nunca viu uma foto dessas e pensou “Ai, quero muito essa base” ou ficou SUPER mal ao experimentar uma calça que não coube, ao invés de simplesmente pegar uma de tamanho maior ou outra modelagem? Chato, gente! Bem chato!

Mais chato ainda é um bando de empresa colocar um bando de coisa tóxica nesses produtos, poluir pra caramba e nem dar a opção de retornar as embalagens. O QUE EU VOU FAZER COM AQUELE TUBO DE RÍMEL VAZIO????? 

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Ué, quarto gera lixo? parte 2

Eu amo minhas roupas…
Calma, espera…
Xiiiiiii…

 

 

 

 

 

“EU NÃO TENHO NADA PRA VESTIIIIIIIRRRRRRR!!!!!!”

Quantas mulheres não repetem essa frase todos os dias, enquanto olham para seus armários cheios de roupa? Conheço várias!!! Não sei em relação aos homens, nunca ouvi isso de um amigo meu (alguém aí me conta?). Então, a pessoa coloca um vestido super bonito, mas de certa forma a insatisfação persevera lá no fundinho e, na primeira oportunidade, vai as compras. “Preciso fazer compras!”, será? Será que PRECISAMOS fazer compras?

Há algum tempo eu estava insatisfeita com meu armário. Achava tudo lindo, mas não tinha vontade de usar mais nada. Esperei, não me desfiz de nenhum item para entender o que estava acontecendo. Percebi que, apesar de gostar das minhas roupas, elas não representavam mais o meu novo estilo de vida (desperdício zero), estavam infantis também (lembra da crise dos 30 que falei no post 1 do blog?) e nem um pouco práticas (muita coisa com combinação restrita). Senti necessidade de trocar tudo! Selecionei as peças que eu mais utilizava e separei o resto. RESTO???? Quem disse que aquilo era resto?

Roupas não são descartáveis! Só porque não queremos mais usar, não quer dizer que sejam lixo. Também não quer dizer que a roupa tenha perdido valor e muito menos que sirva só pra caridade. Antes da roupa chegar no seu armário, ela já foi algodão ou seda, foi extraída por mão de obra escrava, foi para uma tecelagem pra virar tecido, utilizou e poluiu muita água para ser tingida, depois foi comercializada a preço de banana para as marcas que utilizam mais mão de obra escrava ou não pagam o preço justo às costureiras. Aí a roupa poluiu mais ainda pra chegar até os galpões (transporte gera muito CO2) e ser distribuída às lojas, pra você comprar e um dia falar “não tenho nada pra vestir” ou pra eu chamar de “resto”.

O que fazer?

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