Escritório sim, lixo não! Parte 1

Vamos lá: Querido Diário…
Xiiii, escrevi errado!
Tanto faz… só pegar outra folha!

Escritório… nem todos têm um em casa. Eu, por exemplo, tenho um cantinho na sala onde ficam meu computador e todo material de trabalho de uma produtora cultural/blogueira que adora desenhar e fazer trabalhos manuais. Eu chamo de escritório porque acho chique! Mas para esse post vale também escrivaninha ou qualquer outra parte da casa, onde você estude/trabalhe/escreva ou utilize artigos de papelaria e escritório;)

Duvido que algum de vocês alguma vez tenha se questionado sobre o impacto ambiental de uma simples borracha, ou onde descartar corretamente uma caneta, ou do que é feita a cola etc. E se eu dissesse que há muito desperdício desses materiais, que muitos deles nem são tão necessários assim quanto achamos, que estamos poluindo e PERDENDO DINHEIRO desnecessariamente? OPA!!! falei em dinheiro e muita gente deve ter arregalado os olhos. Vou mostrar para vocês como transformei meu espaço de trabalho em um local Desperdício Zero, como reduzi o lixo (nem tenho mais lixeira) e como economizei bufunfa 😛

CANETA

Caneta tinteiro, conversor e tinta.

As canetas de pena eram as mais ecologicamente corretas. Quebrou? COMPOSTA (rsrs)! Imagina ter que assinar alguma coisa e sair desprevenido de casa “Me empresta uma pena?”. Até que a coisa evoluiu para um artigo de luxo, privilégio daqueles que sabiam ler e escrever e economizavam muito dinheiro para comprar. Caneta tinteira era um bem que ficava como herança! Até que surgiu essa lenga lenga de que descartáveis são mais práticos e a Bic dominou o mercado e os lixões mundo a fora. Canetas mega muito poluem pra caramba!!!! São vários tipos de plástico (ele mais uma vez), acoplados a metal (não destacável) e uma tinta que muitas vezes fica sobrando naquele tubo miserável! Quem aqui já não tentou assoprar naquele tubo pra utilizar a tinta que não desce de jeito nenhum? Além do mais, crescemos aprendendo a jogar a caneta na lixeira, né? E lá se vão materiais recicláveis poluir o meio ambiente. Esse problema despertou o olhar de algumas empresas para soluções menos impactantes. Existem canetas com redução de plástico (corpo de papel) como as da Eco Fábrica link, biodegradáveis como as da EkoBio link, sem tinta (caneta que escreve em metal e promete nunca acabar) Inkles Metal Pen link, entre outras. Algumas empresas dispõe de opções (mais)  ecologicamente corretas, no entanto somente alguns itens. A Stabilo tem uma linha “green” toda de material reciclado, origem vegetal, madeira rectificada e sem danos ao meio ambiente no descarte, mas só achei essas opções na Europa link. Sinceramente, acho isso uma ENROLAÇÃO! Se a empresa tem a possibilidade de desenvolver canetas ecologicamente corretas, por que continua produzindo troço que polui? Como elas não vão se dar ao trabalho de me responder essa pergunta, fui atrás de soluções.

Solução: Caneta tinteira + lapiseira.

Percebi que 80% de tudo que escrevo pode ser a lápis. A caneta só é realmente essencial para assinar meu nome ou escrever algo que não pode ser apagado de jeito nenhum. Então eu mendiguei uma das canetas tinteiras antigas da minha mãe. Próximo passo foi descobrir uma forma de dispensar o uso de refil descartável. BAZINGA! Existe um conversor (oh my god!). Trata-se de um dispositivo (tipo seringa) que armazena a tinta. Pronto!  O conversor custou somente R$23 e a tinta R$32 (é importada e por isso mais cara). A tinta vem num pote de vidro ou reutilizável ou 100% reciclável e, pelas minhas contas, vai durar mais de um ano. Uma super economia, levando em consideração que eu sempre perdia minhas canetas e estava sempre a comprar novas e descartar antigas também. YEAHHH!

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LÁPIS

Tchau lápis! Oi lapiseira!

“Mãe, como se faz um lápis?” Corta a árvore, põe o grafite dentro e pronto! Não é bem assim. Muita coisa acontece nesse processo e a poluição é grande. São áreas enormes de plantio, muita água e agrotóxicos utilizados por anos (até a árvore alcançar o tamanho ideal), tratamento da madeira, extração do grafite (que é um mineral extraído da terra ou feito de forma sintética utilizando petróleo), tinta pra pintar o corpo do lápis, depois distribuição etc. Aí você compra aquele 6B poderoso e na hora de apontar, o grafite quebra. Aponta novamente e outra vez aquele cotoco cai. Você tenta encaixar e, sem sucesso, fica apontando até que o grafite afiado mantenha-se acoplado ao lápis. Então você repara que está cheio de lascas de madeira e pontas por toda parte e joga tudo no lixo! A boa noticia é que tudo isso é compostável, ou seja, dá pra enterrar na planta da sua mãe em casa. Outra boa noticia é que, se a empresa for séria (tento acreditar nisso), ela pode reduzir grande parte do seu impacto ambiental. Nesse quesito, o site da Faber Castell é bem completo e fala de cada fase do processo da fabricação dos lápis link. Então eu li TUDO e cheguei a conclusão de que continua sendo um grande desperdício (olhem essa informação link sobre a produção da Faber Castell. Não acho impressionante, mas sim estarrecedor)!

Solução:  Lapiseira + digitalize-se

A lapiseira tem grandes vantagens por ser reutilizável, com duração indeterminada (as de metal, pelo amor! Não vai comprar aquelas porcarias de plástico com glitter!) e reduzir lixo. Ainda dispensa apontador extra. Escolhi uma de grafite 2.0, por se assemelhar a ponta de um lápis. As mais tradicionais como 0.5 e 0.7 quebram muito facilmente e exigem reposição o tempo todo (o grafite ainda vem em compartimentos plásticos). Hoje eu escrevo pouco em papel (falei sobre isso no post do corredor link), aderi ao tablet e dispositivos eletrônicos. Portanto, deixo o papel para o estritamente necessário e assim reduzi utilização também da caneta e lapiseira. Uma grande redução de lixo (grafite é compostável) e de dinheiro em papelarias.

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BORRACHA

Cotoco de borracha remanescente da época da escola!!!

Que maravilha poder apagar palavras, das quais nos arrependemos (pelo menos no papel rs). A borracha é um daqueles casos de total capacidade de ser sustentável, mas tem grande impacto ambiental negativo por causa da ganância alheia! Falei brevemente sobre a indústria do látex no post sobre camisinha link. O látex natural, se extraído da forma correta, não tem problema algum e o resíduo que sobra desse item é mínimo. Mas aí vem a mão de obra escrava, os agrotóxicos, a extração abusiva etc etc etc e tudo vai poluição abaixo.

Solução: investimento de tempo

Sério, basta investir uns 20 minutinhos da sua vida, uma única vez, para achar uma empresa que utilize látex natural link. Reparem que quando a empresa é correta, ela faz questão de mencionar isso e explicar com transparência sobre seu produto. Assim, você já saberá qual opção é a melhor e pronto. Um pouquinho de tempo investido no consumo consciente pode ajudar (e muito) a batalha por menos poluição (TCHAN!). Fiquei bem impressionada com a Mercur. Sempre comprei a borracha deles por ser de látex natural, mas desconhecia os projetos da empresa link. Tomara que seja verdade.

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LÁPIS DE COR

Reutilização de latas como porta-lápis.

Então né, tenho uma coleção desde os 15 anos. Eu sempre gostei de desenhar e pintar. Portanto sempre consumi esses artigos. Mas eu não tinha a informação que tenho hoje e muito menos a consciência. Pra quem está achando que eu vou falar “não compre, não use”, está enganado! São escolhas entre opções mais ou menos corretas. O lápis de cor tem o mesmo processo de produção do lápis grafite comum, só que a cor é feita de cera tingida. Basta um pouco de investimento de tempo para buscar uma empresa que tenha postura mais ecologicamente correta. Pintar, desenhar… práticas artísticas em geral são fundamentais para o desenvolvimento criativo, cognitivo (e muito mais) das pessoas, além dos aspectos terapêuticos (meu caso rs). Mas precisa poluir? Aqui entra mais uma vez o consumo consciente!

Solução: informação + investimento de tempo + valorizar seus pertences

Sim, eu li vários sites sobre a produção dessa indústria. Procurei entender ao máximo cada etapa e quais opções são melhores e piores, procurei as empresas que adotam práticas sustentáveis e investem em projetos socio-ambientais. Questionei pra caramba o fato de não ter refil de lapiseira colorida e tirei minhas conclusões. Fiz isso não só por mim e pelas minhas escolhas, mas também para passar adiante a informação. Que tal conversar com filhos/sobrinhos/netos etc. sobre a importância de não considerar esses artigos descartáveis? Que tal olhar a embalagem ou comprar cores individuais quando ocasionalmente acabarem? Além disso, também passei a cuidar melhor das minhas coisas. Guardo com zelo para durarem o máximo possível. É um respeito a natureza que forneceu matéria prima, às pessoas que trabalharam duro na fabricação e ao meu din din suado de cada mês!

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CANETAS COLORIDAS

Não gostei do guaraná, mas amei a lata!

Também tenho um monte! Todas da marca Stabillo (paixão dos tempos da Alemanha) que são feitas de material reciclado link. Sim, fui uma grande consumidora de artigos de papelaria. Esse hábito vem desde a infância quando, enfim, chegava a lista de material escolar e eu ficava mega empolgada pra comprar tudo novo. Ficava toda feliz com meu estojo de 12 cores Faber Castell, até chegar no primeiro dia de aula e geral ter aquelas coleções imensas de 50 cores Caran d’Ache! Eu olhava enviesado (mas já passou, ok?)! Pra piorar a situação herdei da minha mãe a paixão por trabalhos manuais. Ou seja… muita papelaria. Também não vou falar aqui pra abrirem mão desses itens. E os designers? E os ilustradores? Galera, mais uma vez repito o mantra do consumo consciente e agora adiciono o mantra do DESCARTE CONSCIENTE, tão fundamental quanto. Tudo bem, você vai comprar a canetinha. Mas vamos jogar no lugar certo depois? Na gringa você pode enviar pelo correio pra as empresas que reciclam. Aqui é parecido! Tem a iniciativa Terracycle link. Você encaminha todos os artigos listados aos postos de recolhimento. Eles juntam tudo e enviam (sem custos) pelo correio. Cada numero determinado de artigos, equivale a uma quantia que será destinada a entidades sem fins lucrativos. Você também pode contribuir se tornando um ponto de recolhimento! Avisa pra galera e ajude a evitar esse bando de lixo desnecessário!

Solução: redução + descarte consciente

Eu não comprei mais canetinhas depois de ter aderido ao Desperdício Zero. Tenho muito lápis de cor e vi que não era questão de vida ou morte pra mim. Além disso, dá pra adicionar água ou álcool pra prolongar a utilidade da tinta. Então decidi por reduzir mesmo e descartar o que tenho pela Terracycle.

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GRAMPEADOR E CLIPES

Amor, vocês está prestes a se aposentar!

Prepara que, enfim, vem bomba! Você que está crente que grampeador e clipes de metal são recicláveis, SE ENGANOU!!!! Ainda estou com dificuldades de entender, mas todos os sites de recicláveis do Brasil e da gringa, informam que esses itens não são recicláveis link. Uma explicação é que o metal é quimicamente tratado (galvanizado) e dificulta a reciclagem, outros dizem que não é metal nobre e ninguém se interessa pela compra. Há também a versão “muito pequeno”, no caso ninguém acumula toneladas o suficiente. Eu tenho um mini grampeador em casa (nunca uso) e entrei em contato com a empresa Golden Kraft link. A secretária foi muito prestativa “Nossa, ninguém nunca fez essa pergunta antes” (eu perguntei sobre o material e sobre o descarte) e disse que o diretor da empresa responderia meu email com as informações (no aguardo do email e conto depois pra vocês). A questão é: você recicla o papel e precisa tirar o grampo antes. “É pequeno… não faz diferença…” FAZ SIM! Vai parar no mar (e em outros lugares) e os peixes engolem e deve ser bem ruim ter isso no estômago!

Solução: novos recursos + criatividade

Junte os grampos em um potinho (não ocupa muito espaço), acumule e descarte dentro de algo já de metal. Outras opções são grampeador sem grampo que faz um pequeno corte no papel e prende com dobras (tecnologia japonesa). Também existem várias opções de dobras manuais link. Já vi um grampeador que utiliza pressão, mas  o google teima em dizer que não existe. Dá pra fazer um furinho (com furador mesmo) e prender com barbante ou linha. Além de clipes que são reutilizáveis (os de metal, please. Nada de plástico!) e por isso, uma opção melhor para aquelas situações onde a PORCARIA da faculdade não permite o envio do trabalho por PDF! Ou seja, recebeu algo com clipe, pega pra você!!!! obs: redução de papel = redução de grampos e clipes.

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COLA

Cola de farinha, água e sal sem ir ao fogo!

Chegando ao fim da parte 1. Segura mais um pouquinho aí, ok?

Já leu o rótulo de um tubo de cola? O tipo mais comum é a cola branca. Está escrito lá PVA e vou resumir com linguagem de quem quase repetiu em química na escola. Assim como o plástico (praga!), também é um polímero, ou seja, junta um bando de molécula (através de processo sintético) e vira o PVA. A embalagem é reciclável (olhem o símbolo embaixo), e o conteúdo é solúvel em água que, ao evaporar, forma essa camada de filme tipo um plástico que mantém as superfícies grudadas. Não é tóxico para nós e tem estudos que apontam microorganismos capazes de decompor o PVA link. Por isso é considerado biodegradável. Mas não vai se animando não! Não só a produção é poluente, mas também ele solta muito CO2 durante a decomposição. Fora que nunca usamos tudo e sempre resseca e vai pra onde??? Refleti muito sobre o uso da cola e tentei imaginar vários cenários onde ela é questão de vida ou morte. Cheguei a conclusão de que, na maioria das vezes, dá pra utilizar cola caseira (que alivio!). Basicamente eu uso cola pra colar papel. Então segue uma receitinha de cola caseira que vai facilitar a vida de muita gente. 1 xícara de farinha de trigo, 1/2 xícara de água e 1 pitada de sal. Mistura tudo e pronto! Guardar na geladeira (se ficar no calor ela fermenta) e dura uns 5 dias. Existem outras receitas link, escolham a sua. E vejam esse link falando de cada tipo de cola e quais são tóxicas para nós (protejam-se!)

Solução: receita caseira + consumo consciente

Bom, algumas profissões dependem do uso deste material. Aí que entra o consumo consciente. A minha sugestão é, para aqueles que realmente precisam desse item, que tal passar a diante quando não estiver mais em uso? Isso pode evitar o desperdício daquele restinho encostado que resseca e vai para o lixo. Muitas instituições de trabalho social aceitam doações deste material. Ou fazer um grupo no face de pessoas conhecidas que possam dividir entre si esses itens (ex: grupo de escambo de material para trabalhos manuais e escolar) etc.

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Nesse post enfatizei bastante o consumo consciente e ele é muito particular. Cada um sabe de si e de suas necessidades particulares e profissionais. Mas precisamos ficar atentos aos excessos, fruto da nossa educação sem nenhuma atenção voltada a sustentabilidade. Fato é que a minoria da minoria recebeu informações sobre o impacto de nosso consumo. Também introduzi o descarte consciente. É de extrema importância que mudemos nossa forma de olhar para as coisas. Nem tudo é lixo. Na verdade quase nada é lixo e muito se evita com o mantra que já ensinei nos outros posts: RECUSAR – REDUZIR – REUTILIZAR 😉

No próximo post tem a lista parte 2! Não morram de ansiedade, please 😛

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